domingo, 5 de setembro de 2010

Uma vontade besta de voltar...


Saudade segundo o Aurélio: s.f. Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir. Nostalgia.

Eu sinto saudade. Muita. De várias coisas. De várias pessoas. De vários momentos. E quem não a sente é porque não aproveita a vida. A saudade é um sentimento que mora dentro da alma e que não tem como tirá-lo de lá.

Diálogo


"— E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

— Ah. Porque eu sou tímida."

R. Apoena

a-menina-do-sapato-caramelo

Alguém já esqueceu você? Já utilizou este fato, como forma de mudança?
O livro é uma delicadeza e doçura.

Plantada na porta da escola, ela era a única criança que ninguém veio buscar! “Será que tudo o que eu escolho me torna quem sou e define o que vai acontecer comigo?”.


http://www.bookess.com/read/3373-a-menina-do-sapato-caramelo/

Só por que ninguém vai ler, não significa que eu não deva escrever.



(blogdochico)

''Quando as coisas não saem como esperamos, podemos nos enraizar ou considerar outras opções modificadoras da realidade que se insurge diante de nossos olhos! ''



M. Vianna










Eu não tenho cabelos vermelhos e o meu vestido não é amarelo. Eu sou só uma menina invisível, deitada na grama invisível que a moça que não sabia desenhar, não desenhou. Aquele é o menino que eu não lhe falei. Ele sempre está preso num único instante; o instante em que o moço que sabia desenhar, o desenhou.

O balão que subia as nuvens, com várias crianças chamando, teve de desviar o caminho, pois não fazia parte desse desenho. O avião que trazia uma faixa, com linda declaração de amor, teve de mudar a rota, pois neste céu azul é que não foi desenhado. O pombo-correio que veio voando de fora da imagem, bateu o bico na borda e caiu. Por isso, o menino está sempre só.

Se as crianças do balão não conseguiram. Se o avião também não conseguiu. Se nem o pombo-correio teve sucesso, como é que eu, uma menina invisível, feita de palavras, poderia chegar até ele? Foi o que passei dias e dias pensando. Então, numa de minhas viagens, ouvi dizer que uma imagem valia mais do que mil palavras. Não tive dúvidas. Abri a oficina invisível, acendi as luzes transparentes e comecei a construir este imenso abraço de palavras. De mil e duas palavras. Para, um dia, entregar a ele.


rita apoena
''de repente um riso tímido
presenteia meus lábios
o dia desperta o
mundo que guardo por dentro
uma chance muito pequena
- mas chances não se medem -
de ser feliz para sempre
mais uma vez.''


Cáh Morandi